O VENTO MORNO DA TARDE

O vento morno da tarde tocou o seu rosto e trouxe a seu espírito uma paz que não sentia a tempos. Estava cansada, muito cansada, de tudo e de todos. O mundo era grande demais para seus ombros. E era ainda maior, imenso, pois o egoísmo era como uma doença que ressecava o espírito e aumentava a distância entre as pessoas, fazendo com que um pedaço de terra de dez metros quadrados pareça conter milhares de anos-luz...

AUTO DE FÉ – PRIMEIRA PARTE: A CELA

Havia cheiro de morte. A cela em que se encontrava tinha um forte odor de morte. Estava muito escuro, uma vez que a cela não tinha qualquer contato com o mundo exterior, mas estava ali há tanto tempo que seus olhos já estavam acostumados com a ausência de luz. A cela não era muito grande, tinha o teto abaulado e paredes maciças, tudo feito de pedra bruta. Não tinha piso nenhum, o chão era todo de terra, uma terra escura e estéril...

AQUI E LÁ

Os olhos se abrem. A relva fresca é agradável ao olfato. Assim como os olhos, suas narinas se abrem respirando o ar da manhã. “Que lindo dia!”, pensa consigo. “Mas afinal onde estou?” Olhou ao seu redor e viu um clarão aberto, uma bela campina com a relva baixa e bem cuidada. Não lembrava de ter estado ali algum dia, era um ambiente totalmente novo para ele. Encantador, mas...

A BESTA-FERA

Não era humano o que se apresentava a minha frente, em meio a penumbra que tomava conta da sala. A pele era coberta de pelos até onde se podia ver, o nariz, adunco e alongado em um formato totalmente impossível, as orelhas eram indiscerníveis em meio a cabeleira que lhe cobria a cabeça, e os olhos, meu Deus, os olhos...