CARTA DE UM ANCIÃO

Caro leitor, Começo estas mal traçadas linhas pedindo perdão por apossar-me do seu precioso tempo com reminiscências de um octogenário, mas acredito que seja o melhor a fazer nestas épocas de solidão em que estamos vivendo. Me entrego a este ofício agora, pois vejo que você, que aqui me acompanha, sabe da importância do conhecimento passado entre gerações, e que a experiência é o principal sustento da sabedoria...

O VENTO MORNO DA TARDE

O vento morno da tarde tocou o seu rosto e trouxe a seu espírito uma paz que não sentia a tempos. Estava cansada, muito cansada, de tudo e de todos. O mundo era grande demais para seus ombros. E era ainda maior, imenso, pois o egoísmo era como uma doença que ressecava o espírito e aumentava a distância entre as pessoas, fazendo com que um pedaço de terra de dez metros quadrados pareça conter milhares de anos-luz...

CENA DE CRIME

O dia amanhecera gelado. Uma densa neblina cobria toda a cidade desde as primeiras horas da madrugada, e naquele momento, as 6h30 da manhã, o mundo ainda parecia envolto em uma grande nuvem. Os primeiros raios solares já despontavam no horizonte, mas ainda não iluminavam suficientemente as ruas, e a luz artificial dos postes ainda era a única arma contra a escuridão completa...